Nokia e sua década perdida: como ela ficou para trás na corrida de smartphones

No fim dos anos 90, a Nokia previu o futuro dos dispositivos móveis: gastando milhões em pesquisa e desenvolvimento, ela até demonstrou aparelhos touchscreen semelhantes aos iPhones e Androids de hoje. Mesmo assim, a Nokia foi ultrapassada por Samsung e Apple no mercado de smartphones. Eis o motivo.

O Wall Street Journal publicou uma reportagem muito interessante sobre a Nokia e sua década perdida, descrevendo os processos decisórios por trás da empresa. O texto começa mencionando os aparelhos que a Nokia desenvolveu há mais de dez anos:

Mais de sete anos antes da Apple anunciar o iPhone, a equipe da Nokia mostrou um celular com uma touchscreen colorida colocada acima de um só botão. Mostrou-se o dispositivo localizando um restaurante, jogando um jogo de corrida e comprando batom. No final dos anos 90, a Nokia desenvolveu em segredo outro produto atraente: um tablet com conexão sem fio e touchscreen – todas as funções hoje do Apple iPad, sucesso em vendas.

“Oh meu Deus”, diz [o ex-chefe de design da Nokia, Frank] Nuovo enquanto clica em seus slides antigos. “Nós tínhamos acertado em cheio.”

Consumidores nunca viram nenhum dos dois dispositivos.

Afinal, ter um protótipo na manga e vender um produto finalizado aos consumidores são duas coisas muito diferentes. O intermédio entre os dois requer uma visão de futuro na administração da empresa – algo que, como explica o WSJ, faltava muito na Nokia:

A Nokia de fato desenvolveu os tipos de dispositivos que consumidores estão devorando hoje. Ela só não os levou ao mercado. Em um grande erro de estratégia, a empresa mudou seu foco (antes em smartphones) de volta para celulares básicos, justo quando o iPhone colocou o mercado de cabeça para baixo.

A Nokia cometeu este erro de estratégia respondendo ao sucesso de celulares simples e caros (na época), como o Motorola Razr V3. Olli-Pekka Kallasvuo, ao assumir o comando da Nokia em 2006, mudou o foco da empresa para dumbphones. Smartphones ficaram de lado, e Symbian e Maemo (depois MeeGo) brigavam entre si por recursos dentro da empresa. “Passava-se mais tempo brigando que fazendo design”, diz Alastair Curtis, outro ex-chefe de design da Nokia.

O resultado: pelo menos dois sistemas operacionais abandonados e um estoque gigantesco de patentes, que agora são avaliadas em US$6 bilhões e compõem quase todo o valor da empresa, seguido de uma tentativa apressada em voltar à corrida de smartphones. A Nokia só perdeu o primeiro lugar em vendas de celulares este ano, mas isso porque começou bem à frente das outras – a derrocada da Nokia é visível há anos.

A Nokia está pagando até hoje por estes erros feitos nos últimos dez anos. Mas agora, com sua nova linha Lumia e apostando no Windows Phone, ela está enfim ousando ser diferente. Só espero que não seja tarde demais. [Wall Street Journal]

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